quinta-feira, 29 de julho de 2010

*CONHECER E TRATAR COM PESSOAS *

Durante minha vida profissional, eu topei com algumas figuras cujo sucesso

surpreende muita gente. Figuras sem um Vistoso currículo acadêmico, sem um

grande diferencial técnico, sem muito networking ou marketing pessoal.

Figuras como o Raul.

Eu conheço o Raul desde os tempos da faculdade. Na época, nós tínhamos um

colega de classe, o Pena, que era um gênio. Na hora de fazer um trabalho em

grupo, todos nós queríamos cair no grupo do Pena, porque o Pena fazia tudo

sozinho. Ele escolhia o tema, pesquisava os livros, redigia muito bem e

ainda desenhava a capa do trabalho - com tinta Nanquim. Já o Raul, nem dava

palpite. Ficava ali num canto, dizendo que seu papel no grupo era um só,

apoiar o Pena. Qualquer coisa que o Pena precisasse, o Raul já estava

Providenciando, antes que o Pena concluísse a frase.

Deu no que deu. O Pena se formou em primeiro lugar na nossa turma. E o resto

de nós passou meio na carona do Pena - que, além de nos dar uma

colher de chá nos trabalhos, ainda permitia que a gente colasse dele nas

provas.

No dia da formatura, o diretor da escola chamou o Pena de 'paradigma Do

estudante que enobrece esta instituição de ensino'.

E o Raul ali, na terceira fila, só aplaudindo. Dez anos depois, o Pena era a

estrela da área de planejamento de uma multinacional. Brilhante como sempre,

ele fazia admiráveis projeções estratégicas de cinco e dez anos. E quem era

o chefe do Pena?

O Raul.

E como é que o Raul tinha conseguido chegar àquela posição?

Ninguém na empresa sabia explicar direito. O Raul vivia repetindo que tinha

subordinados melhores do que ele, e ninguém ali parecia discordar de tal

afirmação. Além disso, o Raul continuava a fazer o que fazia na escola, ele

apoiava. Alguém tinha um problema? Era só falar com o Raul que o Raul dava

um jeito.

Meu último contato com o Raul foi há um ano. Ele havia sido transferido para

Miami, onde fica a sede da empresa. Quando conversou comigo, o Raul disse

que havia ficado surpreso com o convite. Porque, ali na matriz, o mais

burrinho já tinha sido astronauta.

E eu perguntei ao Raul qual era a função dele. Pergunta inócua, porque eu já

sabia a resposta. O Raul apoiava. Direcionava daqui, facilitava dali, essas

coisas que, na teoria, ninguém precisaria mandar um brasileiro até Miami

para fazer. Foi quando, num evento em São Paulo , eu conheci o

Vice-presidente de recursos humanos da empresa do Raul. E ele me contou que

o Raul tinha uma habilidade de valor inestimável:... ele entendia de gente.

Entendia tanto que não se preocupava em ficar à sombra dos próprios

subordinados para fazer com que eles se sentissem melhor, e fossem mais

produtivos. E, para me explicar o Raul, o vice-presidente citou Samuel

Butler, que eu não sei ao certo quem foi, mas que tem uma frase ótima:

'Qualquer tolo pode pintar um quadro, mas só um gênio consegue vendê-lo'.

Essa era a habilidade aparentemente simples que o Raul tinha, de facilitar

as relações entre as pessoas. Perto do Raul, todo comprador normal se sentia

um expert, e todo pintor comum, um gênio. Essa era a principal competência

dele.


*'Há grandes Homens que fazem com que todos se sintam pequenos. **

Mas, o verdadeiro Grande Homem é aquele que faz com que todos se sintam

Grandes.*

*(Texto de Max Gehringer )*

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