quinta-feira, 4 de março de 2010

As cidades e as pessoas

Luiz Claudio Romanelli



Nos dias de hoje, com o intenso corre-corre do trabalho, a atenção à família e outros afazeres, às vezes perdemos a noção do tempo e do olhar mais atento à cidade, às pessoas e à própria vida. A vida e seus enigmas compõem a trajetória histórica da humanidade. Já cidades, pessoas e cidadania são desafios do nosso tempo.

Recentemente, li uma definição sobre cidade de que gostei e a transcrevo: cidades são espaços de trocas culturais, afetivas e econômicas que potencializam as nossas possibilidades de sobrevivência, crescimento e felicidade. Elas aceleram, multiplicam e diversificam essas trocas, alargando os horizontes dos cidadãos. São fundamentais e plenamente viáveis.

Cidade é também um caminho sem volta. É impossível imaginar um planeta sem cidades, com pessoas isoladas em pontos distantes. Agora, é possível e de vital importância intervir nas cidades, de forma consciente, usando as experiências que a humanidade acumulou em diversas áreas - da sabedoria popular ao conhecimento acadêmico.

Cidades e a vida das pessoas, hoje, têm uma ligação mais do que intrínseca. E entre os desafios está o de garantir qualidade de vida e de cidadania. Isso significa trabalho, moradia, transporte e acesso digno à educação, saúde, água, esgoto, energia elétrica, telefone, internet, ao lazer e aos espaços social e ambientalmente saudáveis.

Esse desafio faz frente ao conceito de não-cidade. Aquela visão dita modernista ultrapassada, embora atual, que prioriza os automóveis em detrimento das pessoas, que ampliou a verticalização, as torres isoladas, as vias expressas, os shoppings só acessíveis por automóvel, que fez vicejar a especulação imobiliária, que empurrou milhares de famílias para viver em áreas de riscos, que separou usos e costumes e que produz exclusão e segregação social.

Na contramão dessa visão desumana, temos de ampliar a participação popular nas decisões e na fiscalização do poder público - que é um instrumento poderoso para eliminar a corrupção e o desperdício. Há uma série de experiências em curso no mundo atual, tendentes a ampliar o grau de transparência administrativa a partir do envolvimento dos cidadãos.

Em Seul, por exemplo, os munícipes podem participar das decisões por meio de seus computadores. No estado indiano de Gujarat, os cidadãos monitoram com seus computadores a qualidade de água. Em Zâmbia, as prefeituras utilizam ônibus como clínicas para levar saúde básica à periferia. Em Antígua e Barbuda, no Caribe, os ônibus servem como salas de aulas de computação para crianças das áreas mais carentes.

Essas e outras experiências, como tantas realizadas nas cidades paranaenses, serão debatidas em Curitiba na I Conferência Internacional sobre Cidades Inovadoras, de 10 a 13 de março.

Precisamos garantir que a cidade informal, aquela das ocupações e construções irregulares, se integre à formal, dotando-a de infraestrutura básica, criando normas para a construção e, principalmente, regularizando as propriedades do ponto de vista tanto urbanístico quanto fundiário.

No meu imaginário e no de muitas pessoas que conheço, a cidade ideal pode ser até densa, mas tem bairros de usos mistos - moradia, comércio, equipamentos culturais, lazer, escritórios e atividades de produção não poluentes - e é feita na escala do pedestre, com calçadas generosas bem povoadas e um bom transporte público e de massas, com um uso restrito do automóvel.

Uma cidade intensamente arborizada e ajardinada - inclusive com fachadas e telhados verdes que contribuam na produção de energia. Uma cidade onde coexistam construções de épocas diferentes, onde se preserve o patrimônio, mas se permita a renovação, onde haja um “mix” social e não uma segregação espacial e, sobretudo, uma cidade segura, onde as crianças e os idosos voltem a se apropriar do espaço público.

Essa é a cidade ideal, do sonho de muitos como eu. Tornar esse sonho realidade é o nosso desafio.


Luiz Claudio Romanelli, 51, advogado, especialista em gestão urbana, deputado e vice-presidente do PMDB do Paraná – www.luizromanelli.com.br – luiz.romanelli@uol.com.br – www.twitter.com/romanelli_

Um comentário:

  1. Um copo de água de “Coco Verde” de 250 ml gera mais de “1 Kg de lixo”.

    DESTAQUE: www.cocoverderj.com.br/coberturaverde.htm
    www.cocoverderj.com.br/jardimvertical.htm

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